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sábado, 12 de janeiro de 2019

Eurobarómetro 2018



No dia 21 de março de 2018, a Comissão Europeia publicou o Eurobarómetro Especial 472 sobre Desporto e Atividade Física (com dados recolhidos em dezembro de 2017).

No estudo verifica-se que em Portugal 68% da população nunca faz exercício ou desporto, sendo que esta percentagem aumentou em relação aos dados de 2013 em 4%. Globalmente, na União Europeia a 28 países, verifica-se a tendência de continuar a aumentar o número de pessoas que nunca faz exercício ou desporto visto que em 2009 o valor era de 39% e em 2018 o valor é de 46%.

O número de mulheres que nunca pratica qualquer tipo de desporto ou exercício, mesmo que seja raramente é de 78% em Portugal e de 64% na Europa a 28 países.

Dos 32% da população que pratica desporto ou exercício em Portugal, com algum tipo de regularidade ou raramente, 47% deles gostam de o fazer ao ar-livre ou em parques. Portugal segue a tendência dos restantes países da União Europeia onde 40% gosta de praticar atividades num contexto mais “informal” , optando por o fazer ao ar-livre.

A principal razão para as pessoas praticarem desporto ou exercício em Portugal, segundo o Eurobarómetro de 2018, é para melhorar o estado de saúde (51% dos portugueses, sendo que no resto da União Europeia a 28 é de 54%). O estudo diz também que a principal barreira identificada pelos portugueses para não praticar é a falta de tempo, sendo que 43% dos inquiridos deram esta resposta, na União Europeia a mesma resposta foi dada por 40% dos inquiridos.

Relativamente à oferta da possibilidade de prática desportiva, 67% dos portugueses dizem que no local onde moram existe oferta de prática desportiva, na União Europeia a 28 o resultado foi de 74%.

Relativamente à oferta por parte de clubes desportivos ou outros prestadores de serviços desportivos a nível local, 63% dos portugueses tende a concordar que existe oferta local para poderem praticar algum tipo de exercício ou desporto. A média europeia neste indicador é de 73%.

Curiosamente e apesar de vários esforços por parte da Comissão Europeia com a introdução da Semana Europeia do Desporto (desde setembro de 2015) e da campanha “#BeActive”, 39% dos Europeus concorda que as autoridades locais (Municípios, Juntas de Freguesia, etc) ainda não fazem o suficiente relativamente à promoção da atividade física e do desporto junto das populações. Em Portugal este indicador é de 44%.


Fica a questão: estamos a fazer o suficiente para promover a prática do desporto?


Escrito originalmente por Paulo Jorge Araújo no Jornal Nordeste (08/01/2019)

Técnico Superior de Desporto, Licenciado em Ciências do Desporto pelo IPB e Especialista em Gestão Desportiva pela Fade-UP

sábado, 10 de novembro de 2018

Projecto de Reestruturação do Futebol de Formação


Apresentação referente à época desportiva 2014/15 que é uma visão sobre o melhor caminho, naquele que era o contexto local, para o desenvolvimento do Futebol de Formação no Concelho de Mirandela.

Projeto de Reestruturação d... by on Scribd

sábado, 22 de abril de 2017

A “Armada Transmontana” no Football Talks 2017

Decorreu entre 22 e 24 de Março no Centro de Congressos do Estoril a 3ª edição do Football Talks, um evento que apesar da sua curta história é já um dos mais prestigiados congressos sobre Futebol a nível Mundial.

As Associações de Futebol de Bragança e Vila Real, e muito bem, fizeram-se representar no evento pelos respectivos Presidentes, sendo que o Director Técnico da Associação de Futebol de Bragança, o Prof. Sílvio Carvalho, foi também um dos “valentes transmontanos” que marcou presença no evento, a par de Gilberto Vicente actual Treinador de Futebol no Grupo Desportivo do Cachão e de mim próprio enquanto profissional na área da Gestão do Desporto.

A “armada transmontana” (como fomos gentilmente apelidados) presente no Football Talks 2017 era constituída por cinco pessoas com responsabilidades no âmbito do desenvolvimento do Futebol e do Desporto em Trás-os-Montes.

Mas porque razão fizemos nós questão de estar presente neste evento?

A resposta é bastante simples, porque estas cinco pessoas são apaixonadas pelo Desporto em geral e pelo o Futebol em particular e nesse sentido estas mesmas pessoas querem estar na vanguarda no que diz respeito a todo o conhecimento que possa existir para que no desempenho das suas funções possam contribuir de forma efectiva para o desenvolvimento do Desporto a nível regional e simultaneamente das organizações desportivas que representam.

E então o que é que fomos lá aprender de tão extraordinário assim? Na verdade, o que aprendes em termos de volume é pouco, o principal conhecimento adquirido neste evento, na minha perspectiva, está relacionado com o perceber qual é o alinhamento estratégico entre a FIFA, a UEFA, as outras Confederações e as respectivas Federações Nacionais.

Neste momento a FIFA está claramente preocupada em recuperar a sua credibilidade e elegeu o homem certo para o lugar certo, sendo que a “boa governação” é claramente o tema prioritário para esta organização desportiva e todas as Confederações que a constituem. Por isso, as Federações Nacionais, as Associações Distritais e os Clubes também vão ter que no curto prazo implementar as medidas de “boa governação” da FIFA, porque o que está em jogo é a credibilidade do próprio Futebol.

O tema da viciação de resultados é muito importante e as apostas desportivas vieram contribuir para um clima de constate suspeição, principalmente no Futebol dos escalões jovens e não profissional, pois facilmente os vários intervenientes directos são corrompidos.

O tema do vídeo arbitro está resolvido e vai mesmo avançar, porque como diz o lendário Pierluigi Collina, o árbitro é a única pessoa no estádio que actualmente não tem acesso à tecnologia que lhe permita verificar quase “em tempo real” se a sua decisão foi certa ou errada e isto é uma tremenda desvantagem em relação aos 60 ou 70 mil presentes no local e aos milhões de telespectadores em casa.

O Futebol feminino veio para ficar e não existe qualquer dúvida que está em expansão a nível mundial, muito graças ao grande impulso e financiamento proveniente da das políticas instituídas pela FIFA.

Curioso também, foi o facto de pessoalmente ter reparado que a grande maioria dos chamados “comentadores desportivos”, que todos os dias poluem a mente de milhares de portugueses, com informação sem qualquer tipo de “conteúdo credível” e que contribuem para um clima muito negativo em redor dos temas importantes do “desporto rei” não terem sequer marcado presença neste evento de qualidade mundial.

Saudações Desportivas
Paulo Jorge Araújo

Artigo Publicado in Jornal Nordeste - 18/04/2017



domingo, 12 de março de 2017

A Selecção Nacional e a Portugalidade



Portugal é Campeão da Europa, a selecção portuguesa derrotou por 1-0 a selecção francesa, em Paris, na Final do Campeonato Europeu de Futebol sénior masculino que se realizou em terras gaulesas entre os dias 10 de Junho e 10 de Julho de 2016.

A maior parte de nós ainda nem acordou verdadeiramente deste sonho que foi a conquista de um grande título internacional por parte da equipa mais representativa da Federação Portuguesa de Futebol. Nós não estamos habituados a estas coisas e por isso ainda nos custa a acreditar que a selecção das quinas foi a vencedora do Euro 2016 e trouxe o troféu Henri Delaunay para Portugal.

A selecção principal da Federação Portuguesa de Futebol é claramente uma embaixadora de Portugal no mundo e isso já foi visível em diversas outras competições internacionais disputadas anteriormente. Desde o Euro 96 em Inglaterra que Portugal se tem vindo a afirmar como uma das melhores equipas do futebol Europeu e Mundial, tendo apenas falhado a qualificação para o Campeonato Mundial de 1998, curiosamente também ele disputado em França. Este conjunto de qualificações, associadas a um conjunto de boas performances nessas mesmas competições, criou nos últimos vinte anos um sentimento de pertença e de empatia de todos os portugueses residentes em Portugal e no estrangeiro com a selecção das quinas e a Portugalidade.

O expoente máximo dessa empatia foi atingido durante o Euro 2004 e esse facto foi claramente visível quando da viagem da equipa desde a academia de Alcochete até ao Estádio da Luz para a disputa da final da competição frente à selecção helénica. Nesse dia, milhares de portugueses fizeram um autentico “corredor humano” de apoio à selecção, algo nunca visto e que marcou a história do futebol em Portugal.

Este ano as coisas foram bastante diferentes, o seleccionador nacional definiu um objectivo claro (algo que não costuma acontecer muito em Portugal pois por norma por cá ninguém sabe muito bem quais são os objectivos das coisas), esse objectivo era chegar à final, a estratégia de divulgar o objectivo publicamente comprometeu o grupo e a partir desse momento ninguém podia “lavar as mãos” e dizer que não sabia que a equipa só teria sucesso na prova se conseguisse atingir a almejada final.

Como disse o “enfant terrible” Eric Cantona, a final da competição teve todos os ingredientes de uma verdadeira “tragédia dos tempos modernos”, foi como que uma verdadeira epopeia. Primeiramente, tal como uma das 10 pragas bíblicas o campo de jogo foi invadido por milhares de borboletas (traças) que ninguém sabe de onde vieram, depois o “grande herói nacional” é lesionado por um oponente e sai em lágrimas deixando de poder dar o seu contributo à equipa, posteriormente “ressuscita” na pele de um efusivo treinador-adjunto incentivando e ajudando a orientar a sua equipa a partir da linha lateral. Para finalizar esta história alucinante, a partida termina após um golo marcado aos 109 minutos por um herói improvável.

Em jeito de brincadeira gostava de dizer que penso seriamente que este feito desportivo é “merecedor de uma petição pública” para que seja acrescentado um XI canto aos Lusíadas de Luís Vaz de Camões.

Numa reflexão mais profissional gostava de vos dizer que este título é fruto de anos de trabalho de toda a estrutura do futebol português, este título é dos pequenos clubes locais, dos clubes de maior dimensão e das associações distritais que são membros da Federação Portuguesa de Futebol. Pois quem olhar para os 23 jogadores seleccionados para o Euro 2016 facilmente verifica que que quase todos os jogadores se iniciaram em pequenos clubes desportivos locais, dos Açores à Madeira, passado por Leiria, Póvoa do Varzim, Amarante, Penafiel e Mirandela. Por isso a Coupe D’Europe, o Troféu Henri Delaunay, a Taça do Campeonato Europeu UEFA Euro 2016, é de todos os que, directa e indirectamente, contribuíram um pouco por todo o país para que estes jovens atletas tivessem a oportunidade de desenvolver o seu talento.



Obrigado Portugal

Saudações Desportivas

Paulo Jorge Araújo


Artigo publicado in "Revista Raizes" em Agosto de 2016