sábado, 10 de novembro de 2018

Projecto de Reestruturação do Futebol de Formação


Apresentação referente à época desportiva 2014/15 que é uma visão sobre o melhor caminho, naquele que era o contexto local, para o desenvolvimento do Futebol de Formação no Concelho de Mirandela.

Projeto de Reestruturação d... by on Scribd

domingo, 30 de setembro de 2018

De onde veio e para onde vai o desporto transmontano?


O Desporto como nós o conhecemos hoje nasceu em Inglaterra com a Revolução Industrial. Antes disso não existia a chamada “sociedade do tempo-livre”, pois todas as actividades eram geridas de acordo com as horas de sol, sendo que principalmente na agricultura trabalhava-se de sol-a-sol.

Aquela velhinha ideia que o desporto vem desde a Grécia Antiga é um erro histórico grave pois os gregos da antiguidade clássica não praticavam desporto, treinavam e competiam mas o seu objectivo principal era realizar uma preparação para o combate militar. As primeiras provas dos Jogos Pan-helénicos incluíam corridas com equipamentos militares, tais como escudos, espadas e capacetes. Assim sendo, o treino e a competição, eram nada mais nada menos que um meio de preparação militar, que substituía a guerra quando imposta a Trégua Sagrada e que colocava as cidades-estado não a lutar entre si directamente, mas sim indirectamente através da competição nos Jogos Pan-helénicos.

O Barão Pierre de Coubertin achou graça ao que os gregos da antiguidade clássica faziam e basicamente “copiou a ideia”, sendo que as práticas competitivas que ele incluiu nos Jogos Olímpicos eram, em grande parte, algumas das modalidades desportivas que nós conhecemos hoje e assim sendo em 1896 organizou em Atenas a 1ª Olimpíada da era Moderna. 

Existem jornais do início do Século XX que falam de conferências realizadas por “Sportsmen” (aquilo que hoje chamamos vulgarmente de desportistas) em clubes sociais das capitais de distrito do interior do nosso país. Estes clubes eram organizações onde se realizavam bailes, jogava-se às cartas, as elites conviviam e falavam dessa moda que era o “Sport”, que estava muito em voga na Inglaterra. Estas entidades eram, claramente, uma imitação dos clubes de sociedade britânicos e em muitos casos foi ali que se começaram a dar as primeiras aulas de ginástica.

 Os primeiros clubes desportivos surgem em Trás-os-Montes e Alto Douro apenas no início dos anos vinte. Em 1920 é fundado o Sport Clube de Vila Real e em 1926 nasce o Sport Clube de Mirandela. Seja como for estes clubes desportivos transmontanos são fundados com alguns anos de atraso em relação aos primeiros clubes desportivos nacionais. Veja-se os casos do Oporto Cricket and Lawn Tennis Club fundado em 1855, da Real Associação Naval fundada em 1856 e por exemplo do Ginásio Clube Figueirense fundado em 1895. 

Segundo o Professor António José Serôdio da UTAD, no início do século o ciclismo e o boxe eram desportos muito praticados e o futebol pouco tempo depois passou a ser o desporto dominante. Os clubes desportivos surgiram em grande parte dos concelhos transmontanos como forma de contestação ao poder económico, político e cultural que as sedes de distrito representavam em relação a concelhos de menor importância. O clube desportivo e principalmente o futebol era, na época, uma forma de combater e contestar a hegemonia das capitais de distrito. Muitas vezes clubes de concelhos mais pequenos contrataram jogadores do litoral, e até de Espanha, para jogar contra os “opressores”, na época os regulamentos assim o permitiam. Com estas rivalidades surgiram diversas vezes problemas de desordem pública que obrigaram à intervenção da polícia. 

Trás-os-Montes e o Alto Douro sentiram durante muitos anos o fenómeno do êxodo rural e a partir dos anos 80 do século passado esta situação intensificou-se, quer no caso dos retornados de África após o 25 de Abril, quer de outros que já habitavam na região e que tiveram que emigrar ou ir em busca de melhores condições de vida nas cidades do litoral. A situação é grave e entre 2001 e 2014 a região perdeu cerca de 36 000 habitantes, se tivermos em conta que em 2014 o número de idosos já duplicara em relação em relação ao número de crianças entre os 0-14 anos. O cenário é, na minha opinião, negro pois sem pessoas não há desporto e a demografia ilustra bem qual é a força de uma região.

 Nascem cada vez menos crianças, logo na minha perspectiva o desporto competitivo e os clubes desportivos vão passar um mau bocado no futuro, pois não vai haver praticantes jovens suficientes para toda a oferta que existe actualmente e existem mesmo clubes em localidades mais pequenas que vão ter que fechar a porta a médio prazo. Penso que a longo prazo os grandes jogos desportivos colectivos como o futebol de onze vão acabar e em algumas localidades com menos população a tendência será haver desenvolvimento de alguns desportos individuais e da prática do futsal, visto que são necessários menos elementos para fazer uma equipa. 

Posto este cenário, parece-me que a longo prazo quem vai dominar as actividades desportivas em Trás-os-Montes vai ser o segmento dos idosos e dentro destes vão estar em particular destaque os que estão institucionalizados pois esses integram em definitivo a já anteriormente referida “sociedade do tempo-livre”, que nasceu com a Revolução Industrial. 

Escrito por Paulo Jorge Araújo Técnico Superior de Desporto, Licenciado em Ciências do Desporto pelo IPB e Especialista em Gestão Desportiva pela UP.

Publicado originalmente em Jornal Nordeste

domingo, 24 de junho de 2018

Modelos de Gestão de Instalações Desportivas


Recentemente estive na Polónia onde participei como orador num seminário sobre a gestão de instalações desportivas. Na minha intervenção abordei os modelos de gestão usados em Portugal para este tipo de instalações. Inicialmente tentei fazer um enquadramento a nível das definições de desporto e de recreação na América do Norte e na Europa.

Posteriormente, fiz um enquadramento sobre o que nós consideramos ser uma instalação desportiva em Portugal e sobre alguma da legislação sobre a temática das instalações desportivas, sendo que dei destaque às atribuições e competências dos municípios neste domínio.

Relativamente aos modelos mais comuns, usados no nosso país, fiz referência aos diversos tipos de gestão: directa, indirecta, concessões e mista. Na gestão direta os municípios são os gestores das instalações e o staff é constituído por funcionários municipais, na gestão indirecta é feita por uma empresa que administra as instalações, na concessionada o município faz um protocolo com uma colectividade desportiva ou empresa e são eles que tentam rentabilizar a instalação desportiva. Já na mista, por norma, o município em parceria com uma organização desportiva gere as instalações, mas o município fica com as despesas maiores e a entidade desportiva com as operações, as receitas e as despesas menores. Estes tipos de modelos não são perfeitos, mas são os que até agora tem dado melhor resposta na nossa realidade.


No que diz respeito à gestão de instalações por empresas especializadas na área, em Portugal existem ainda muito poucas porque o nosso mercado ainda é pequeno e na maioria dos casos seria quase impossível gerar lucro com a gestão das mesmas.Posto isto, podemos concluir que sem os municípios não haveria quase possibilidade de haver acesso gratuito e a preços reduzidos à prática desportiva.



Escrito originalmente por Paulo Jorge Araújo in Jornal Nordeste em 3 de Abril de 2018

Técnico Superior de Desporto, Licenciado em Ciências do Desporto pelo IPB e Especialista em Gestão Desportiva pela UP

terça-feira, 1 de maio de 2018

30 anos de Programa Erasmus (1987-2017)



programa Erasmus celebrou durante o ano de 2017 trinta anos de existência, o programa actual sofreu um “upgrade”  e hoje designa-se por Erasmus+ e decorrerá neste “novo” formato entre os anos de 2014 e de 2020. O programa actual é muito mais abrangente que o programa original que tinha como público-alvo os estudantes do ensino superior e posteriormente também os seus professores. Actualmente o programa Erasmus+ abrange áreas como a Educação, a Formação, a Juventude e o Desporto.

O “novo” programa que teve início em 1 Janeiro de 2014 destina-se a apoiar as actividades de Educação, Formação, Juventude e Desporto em todos os sectores da aprendizagem ao longo da vida, incluindo o Ensino Superior, Formação Profissional, Educação de Adultos, Ensino Escolar, Actividades para Jovens e formação no âmbito do Desporto Amador.

O programa original envolveu cerca de 3 milhões de estudantes e 300 mil professores, durante os seus 27 anos de existência e contribuiu de forma muito significativa para o desenvolvimento de novas competências e um conjunto de experiências inesquecíveis por parte de todos aqueles que tiveram oportunidade de participar neste fantástico programa. Teve também um impacto muito elevado no que diz respeito ao significado do que é ser um cidadão europeu, sendo que um estudo da Comissão Europeia sobre o impacto do programa original revelou que 80% dos estudantes em mobilidade diziam sentir-se mais Europeus após participarem no programa Erasmus.

O programa actual quer colocar em mobilidade e apoiar 4 milhões de pessoas em sete anos (2014-2020).

Mirandela está na vanguarda no que diz respeito ao programa Erasmus+ em Portugal e é um dos municípios que está envolvido em mais projectos europeus na área do Desporto, totalizando deste 2014 até hoje seis parcerias estratégicas. Os projectos são variados e abordam múltiplas temáticas, desde a luta contra o doping, a prevenção de lesões, o voluntariado, o incentivo da prática desportiva das raparigas, a implementação de novas metodologias de promoção da actividade desportiva e a gestão de instalações.

Penso que o programa Erasmus+ é uma oportunidade que o nordeste transmontano não deveria desperdiçar pois permite aos transmontanos de todas as idades, mas principalmente aos mais jovens, a possibilidade de desenvolverem um conjunto de “soft skills” que são úteis no mercado global de trabalho em que se vão ter que se inserir no futuro. O programa tal como no passado abre horizontes, permite a troca de experiências e reforça e de que maneira o sentimento de pertença à Europa, à União Europeia e ao melhor continente que existe para se poder viver e trabalhar.

Este programa que celebra em 2017 o seu 30º aniversário, é sem sombra de dúvidas o programa europeu de mais sucesso e uma das grandes vitórias alcançadas pela União Europeia.

Saudações Desportivas
Paulo Jorge Araújo


Nota - Artigo publicado originalmente em Revista Raízes

sábado, 17 de fevereiro de 2018

FIFA 2.0: A Visão para o Futuro


Recentemente tive a possibilidade de estar presente, pela primeira vez, na sede da FIFA na bela cidade de Zurique, na Suíça.

No seguimento das minhas participações, enquanto conferencista, nos Congressos “Football Talks” no Estoril e no “World Football Summit” em Madrid, durante o ano de 2017, que comecei a acompanhar com bastante interesse a “revolução” instituída na FIFA pelo seu “novo” Presidente o Sr. Gianni Infantino e pela primeira mulher nomeada para ser a Secretaria-Geral da FIFA, a Sra. Fatma Samoura.

Sim, eles lideram uma “revolução silenciosa” na FIFA, restruturando internamente esta organização que governa o futebol mundial.

O Sr. Gianni Infantino foi eleito Presidente da FIFA a 26 de fevereiro de 2016, depois de ter ocupado o cargo de Secretário-Geral da UEFA durante vários anos.
No dia 13 de outubro de 2016 o Sr. Gianni Infantino lançou um documento chamado “FIFA 2.0: A Visão para o Futuro” que é nada mais, nada menos, que um documento orientador onde consta a visão para o futuro do futebol mundial, neste documento constam um conjunto de ideias cujo objetivo principal é o de construir uma “nova” FIFA e fazer crescer o futebol em todo mundo.

A FIFA é a organização que governa o futebol mundial desde 21 de maio de 1904 e logicamente como todas as organizações desportivas já passou por momentos bons, menos bons e maus. Não me vou alargar quanto aos escândalos de corrupção que recentemente afetaram este organismo e denegriram a sua imagem publica, mas uma coisa é certa, a justiça irá punir os infratores, sendo que a justiça desportiva já puniu alguns deles afastando-os do “mundo do futebol”.

Uma das primeiras medidas tomadas pelo “novo” Presidente da FIFA foi a de separar a parte administrativa e comercial da FIFA do futebol propriamente dito, a FIFA possui agora dois grandes departamentos, um administrativo e um desportivo. Estes departamentos têm quatro divisões cada um, no caso do departamento responsável pelo futebol as divisões são: técnica, federações nacionais, futebol feminino e competições.

A “nova” FIFA (a FIFA 2.0) tem objetivos tangíveis e mensuráveis que devem ser atingidos até ao apito inicial do Mundial de 2026. O primeiro objetivo é ter mais de 60% da população mundial a participar e a estar envolvida no futebol, o segundo objetivo é fazer um investimento de 4 biliões de dólares no desenvolvimento do futebol, o terceiro objetivo é dobrar o número de futebolistas femininos atingindo os 60 milhões de jogadoras de futebol feminino e o quarto objetivo é otimizar as operações internas e externas, aumentar as receitas e a eficiência financeira.

Posto isto, resta-me dizer-vos que a esta “nova” FIFA está num processo de alteração da sua cultura organizacional, tem objetivos claros e ambiciosos para o futuro e finalmente está entregue aos líderes certos para, após 113 anos de existência, se tornar a organização desportiva modelo de todas as outras que integram o desporto mundial.


Saudações Desportivas

Paulo Jorge Araújo

Originalmente publicado in Jornal Nordeste a 13/02/2018
Link: Artigo Original in Jornal Nordeste