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sábado, 22 de abril de 2017

A “Armada Transmontana” no Football Talks 2017

Decorreu entre 22 e 24 de Março no Centro de Congressos do Estoril a 3ª edição do Football Talks, um evento que apesar da sua curta história é já um dos mais prestigiados congressos sobre Futebol a nível Mundial.

As Associações de Futebol de Bragança e Vila Real, e muito bem, fizeram-se representar no evento pelos respectivos Presidentes, sendo que o Director Técnico da Associação de Futebol de Bragança, o Prof. Sílvio Carvalho, foi também um dos “valentes transmontanos” que marcou presença no evento, a par de Gilberto Vicente actual Treinador de Futebol no Grupo Desportivo do Cachão e de mim próprio enquanto profissional na área da Gestão do Desporto.

A “armada transmontana” (como fomos gentilmente apelidados) presente no Football Talks 2017 era constituída por cinco pessoas com responsabilidades no âmbito do desenvolvimento do Futebol e do Desporto em Trás-os-Montes.

Mas porque razão fizemos nós questão de estar presente neste evento?

A resposta é bastante simples, porque estas cinco pessoas são apaixonadas pelo Desporto em geral e pelo o Futebol em particular e nesse sentido estas mesmas pessoas querem estar na vanguarda no que diz respeito a todo o conhecimento que possa existir para que no desempenho das suas funções possam contribuir de forma efectiva para o desenvolvimento do Desporto a nível regional e simultaneamente das organizações desportivas que representam.

E então o que é que fomos lá aprender de tão extraordinário assim? Na verdade, o que aprendes em termos de volume é pouco, o principal conhecimento adquirido neste evento, na minha perspectiva, está relacionado com o perceber qual é o alinhamento estratégico entre a FIFA, a UEFA, as outras Confederações e as respectivas Federações Nacionais.

Neste momento a FIFA está claramente preocupada em recuperar a sua credibilidade e elegeu o homem certo para o lugar certo, sendo que a “boa governação” é claramente o tema prioritário para esta organização desportiva e todas as Confederações que a constituem. Por isso, as Federações Nacionais, as Associações Distritais e os Clubes também vão ter que no curto prazo implementar as medidas de “boa governação” da FIFA, porque o que está em jogo é a credibilidade do próprio Futebol.

O tema da viciação de resultados é muito importante e as apostas desportivas vieram contribuir para um clima de constate suspeição, principalmente no Futebol dos escalões jovens e não profissional, pois facilmente os vários intervenientes directos são corrompidos.

O tema do vídeo arbitro está resolvido e vai mesmo avançar, porque como diz o lendário Pierluigi Collina, o árbitro é a única pessoa no estádio que actualmente não tem acesso à tecnologia que lhe permita verificar quase “em tempo real” se a sua decisão foi certa ou errada e isto é uma tremenda desvantagem em relação aos 60 ou 70 mil presentes no local e aos milhões de telespectadores em casa.

O Futebol feminino veio para ficar e não existe qualquer dúvida que está em expansão a nível mundial, muito graças ao grande impulso e financiamento proveniente da das políticas instituídas pela FIFA.

Curioso também, foi o facto de pessoalmente ter reparado que a grande maioria dos chamados “comentadores desportivos”, que todos os dias poluem a mente de milhares de portugueses, com informação sem qualquer tipo de “conteúdo credível” e que contribuem para um clima muito negativo em redor dos temas importantes do “desporto rei” não terem sequer marcado presença neste evento de qualidade mundial.

Saudações Desportivas
Paulo Jorge Araújo

Artigo Publicado in Jornal Nordeste - 18/04/2017



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Qual é o legado de Cruyff e o que é que um “pequeno clube” pode aprender com ele?



Sou algo suspeito ao abordar este assunto porque Johan Cruyff é uma das minhas maiores referências desportivas enquanto crescia, tal como o é o AFC Ajax vencedor da Liga dos Campeões em 1995, o “futebol total” e o mentor de toda esta verdadeira cultura do futebol holandês, o lendário Rinus Michels.

Segundo Gustavo Pires, Professor na Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa, a cultura de uma organização desportiva é determinada pela sua filosofia de acção que se expressa na identidade cultural que anima e congrega as pessoas que a ela das mais diversas maneiras se ligam. Pois é mas isto não era um artigo de opinião sobre futebol? Era e é, pois o “futebol total” de Rinus Michels e o AFC Ajax foi ambiente cultural onde cresceu e se desenvolveu Johan Cruyff e posteriormente outras lendas do futebol mundial como Frank Rijkaard, Marco Van Basten, Ronald Koeman ou Dennis Bergkamp (a lista de talentos oriundos do Ajax é vasta). 

Johan Cruyff foi um dos mais fieis discípulos e intérpretes do “futebol total” de Rinus Michels, sendo que ambos trabalharam juntos mais de 10 anos, enquanto jogador e treinador, entre as passagens de ambos pelo AFC Ajax, FC Barcelona e a “Laranja Mecânica” do Mundial de 1974. Cruyff termina a sua fabulosa carreira como jogador em 1984 e entre 1985 e 1988 segue os passos do seu mentor e vai treinar o AFC Ajax. Johan Cruyff conquista em 1986-87 a Taça das Taças e a sua equipa é somente constituída por alguns dos mais talentosos futebolistas de sempre: Marco Van Basten, Frank Rijkaard e Dennis Bergkamp. Estes jogadores, assim como muitos outros que se seguiram (como Patrick Kluivert, Clarence Seedorf e Edgar Davids), são provenientes da academia do AFC Ajax que privilegia a qualidade individual e o futebol criativo baseado na velocidade e na técnica (em inglês “TIPS”: technique, insight, personality and speed) no entanto, os aspectos tácticos são fundamentais e todas equipas da formação aprendem a jogar em mais que um sistema táctico sendo que é privilegiada a aprendizagem do famoso “3-4-3” soberbamente interpretado pela equipa principal do clube. 

Em 1988 Johan Cruyff muda-se para o FC Barcelona e não tardou a contribuir de forma efectiva para a aplicação de todo um conjunto de ideias provenientes do AFC Ajax, que ajudaram a melhorar e a transformar a academia do FC Barcelona numa verdadeira fábrica de talentos. Actualmente a academia do FC Barcelona é considerada uma das melhores do mundo, esta mesma academia formou Pep Guardiola, que também foi treinado por Cruyff e que por sua vez afirma que o “mestre holandês” foi uma das pessoas mais influentes do futebol europeu nos últimos 40/50 anos, tendo contribuído com as suas ideias para a definição de um estilo de jogo em dois dos maiores clubes do velho continente. Para Pep Guardiola não era possível existir o FC Barcelona de hoje sem as ideias de Johan Cruyff, o clube enquanto organização desportiva existiria, mas a filosofia que há mais de 25 anos dá suporte ao modelo de jogo e à identidade do jogar do FC Barcelona não, ou seja, resumidamente o mundialmente famoso “tiki-taka” não existiria sem Cruyff. 

Mas então o que é que um “pequeno clube” pode aprender com o legado deixado por Johan Cruyff? 
Na minha humilde opinião e seguindo (julgo eu), a linha de pensamento de Cruyff, um “pequeno clube” deverá ter que perceber primeiramente que é na sua escola de formação de atletas que deve investir (formar com qualidade tem que ser o seu “core business”). O clube deve virar-se para dentro e potencializar os seus recursos humanos (treinadores), deve definir claramente qual é que é a sua identidade, os seus valores e trabalhar com base neles, deve definir que tipo de jogar pretende e como vai ser operacionalizado esse jogar em todas as suas equipas, desde os sub-7 aos seniores. Para isso ser possível é necessário que exista, entre outras coisas, um “coordenador metodológico” que “obrigue” os treinadores das diferentes equipas a trabalhar de forma concertada e de acordo com uma metodologia previamente definida, até para que possa existir uma transição mais suave dos atletas de um escalão para o outro, até chegarem à equipa sénior. Normalmente cada treinador tende a trabalhar a sua equipa de forma independente e à sua maneira, dentro daquilo que é a sua concepção de jogo. Este facto não abona muito a favor da definição de uma filosofia de acção dentro do clube, que em casos normais conduziria à identidade cultural que é vulgarmente definida como o ADN do clube (por exemplo o “tiki-taka” é claramente parte da identidade do FC Barcelona). 

Em jeito de conclusão dizer que o que Johan Cruyff nos deixou como legado foi a sua visão e as suas ideias, para ele o futebol era um espectáculo ao qual os adeptos vão para ver a sua equipa vencer, mas também para serem entretidos, por isso ele privilegiava o futebol de ataque, com muita posse de bola e controlo absoluto do jogo. Para operacionalizar esta visão são necessários jogadores de elevada qualidade técnica, inteligência, personalidade e velocidade, como eles não nascem ensinados, temos que os formar nós dentro do nosso próprio clube. Para que isso seja possível é necessário que se possua uma filosofia de trabalho, alicerçada numa metodologia, que deverá ser transversal a todas as equipas e que permita aos jogadores da formação desaguar tranquilamente nos seniores.



 RIP #14

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O sucesso a qualquer preço....



Que na China são cometidas atrocidades que violam os Direitos Humanos, não parece ser uma grande novidade, tal como não é novidade que a China persegue o sucesso desportivo a qualquer preço, agora juntem estas duas ideias numa só, como faz o governo chinês.

Os treinadores Chineses erram em termos metodológicos só para poderem alcançar resultados desportivos de curto prazo, mas o resultado desportivo não é tudo. Com crianças e jovens é mais importante a forma como esse resultado é obtido, cargas de treino elevadas são aplicadas por treinadores chineses em crianças de 5 ou 6 anos sem nenhum respeito pela sua maturação biológica comprometendo desta forma a sua progressão como atletas.

O que no curto prazo pode até parecer um êxito desportivo, pode no longo prazo vir a ser revelado como um falhanço metodológico, que comprometeu a carreira desportiva de um pequeno desportista com talento. Principalmente porque o treino não é visto pela criança como algo que a faz feliz…e isto só conduz ao abandono.

Os pais destas crianças também tem culpa, pois obrigam as suas crianças a praticar nestas Academias do Estado Chinês, porque pensam que através destes programas os seus filhos vão ser Campeões Olímpicos, eles vêem os filhos como um meio para escaparem as baixas condições de vida em que vivem.

A verdade é que apenas uma ínfima percentagem de todas estas crianças vai algum dia vencer uma medalha, será que vale apena submeter crianças a estas atrocidades?Na minha opinião não.


A progressão dos jovens atletas é muitas vezes limitada por treinadores que através de cargas de treino desajustadas, visam atingir objectivos imediatos, o que compromete o desenvolvimento harmonioso e a longo prazo do atleta.

O treino dos jovens deve ser estruturado segundo princípios científicos, deve ser pensado e organizado tendo em vista o rendimento a longo prazo e nunca no imediato.

Aparentemente estes treinadores não tem noção do que andam a fazer, se têm, então fazem-no “obrigados” pela “máquina politica chinesa” que se quer afirmar no mundo desporto a todo o custo….

É triste mas é a verdade, pobres dos que sofrem para que alguns, muito poucos, possam saborear o sucesso olimpico....

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ser Treinador não é fácil....


Aqui fica um excerto de uma temática abordada pelo grande mestre:

O nosso desempenho profissional, apresenta de facto, relativamente às restantes profissões, uma enorme diferença, expressa pela constante exposição pública, pelas exigências permanentes de resultados positivos, pelo carácter imprevisível da competição desportiva e os as difíceis interacções relacionais com atletas, árbitros, jornalistas, dirigentes, etc.

Os dirigentes esperam de nós resultados. Os atletas pedem-nos compreensão para as suas necessidades de afirmação. Os jornalistas exigem-nos atenção e disponibilidade permanente. Os adeptos pretendem ser ouvidos e adulam ou antagonizam o nosso trabalho ao sabor das vitórias ou derrotas. Os patrocinadores não resistem a associar o poder do seu dinheiro à possibilidade de mandarem em tudo e em todos. Numa diversificada pressão que acaba, quase sempre, por influenciar de modo marcante a nossa acção.

É por isso que ser treinador, exige conhecimentos e requer experiências que ultrapassam as aquisições de uma carreira de atleta.

Um excelente atleta, nem sempre terá a garantia de possuir capacidade para ensinar e, muito menos, a de ser capaz de criar climas de trabalho próprios para a aprendizagem ou o treino. A experiência do atleta, é importante, mas, para ser treinador, para além da lógica do jogo e dos seus elementos, torna-se fundamental que domine a lógica pedagógica do seu ensino.

A função de treinador implica a tomada de decisões, organizadas com base em indicadores e segundo critérios que obedecem a uma certa ordem e em diferentes domínios. Organização do treino, liderança, estilo e formas de comunicação com os jogadores, dirigentes, árbitros, jornalistas, etc., opções estratégicas e tácticas decorrentes da observação e análise do jogo, gestão das pressões contidas na competição, controle da capacidade de concentração e emoções, etc.

Para além dos imprescindíveis conhecimentos técnico tácticos e da possível capacidade de demonstrar correctamente as técnicas, ser treinador exige um conhecimento multidisciplinar e o desenvolvimento de um conjunto de habilidades próprias no âmbito das competências de ensino.

Mesmo quando a qualidade do candidato a treinador, revelam uma informação e formação acima da média, ele tem de ser capaz de provocar, através da sua acção, o interesse e motivação dos que aprendem e treinam, pois não há progresso nem êxitos possíveis sem a participação motivada dos atletas.

A profissão de treinador, tem de ser exercida de modo estimulante para a autonomia futura dos atletas sob a sua responsabilidade, acreditando nas capacidades daqueles que fazem parte do seu grupo de trabalho e devolvendo-lhes competências.

Cada treinador, deve actuar de acordo com as suas características e limitações, sem nunca esquecer a responsabilidade que lhe está atribuída quanto à formação social e emocional dos atletas com quem trabalha e à melhoria gradual destes, no âmbito dos conhecimentos relativos à modalidade a que se dedicam.

Os resultados provenientes da intervenção do treinador, têm profundos reflexos sociais pela influência educativa, (ou deseducativa!), que exercem nos jovens e nos adultos, quer sejam praticantes ou adeptos.

Logicamente, não existem treinadores ideias, tipo super-homem de banda desenhada, "que sabe tudo" e "nada o perturba", "homem sem defeitos" e comportamentos sociais e desportivos sempre irrepreensivelmente modelares. Tais modelos não passam de produtos imaginários, criados e alimentados por enquadramentos sócio desportivos alienatórios da realidade.

Jorge Araújo in PLANETABASKET.PT

sábado, 17 de maio de 2008

A Chave do Sucesso...Treino individual!


Red Auerbach e Pete Maravich dois grandes senhores do Basquetebol Mundial, entretanto já falecidos, dão-nos neste vídeo uma aula sobre manejo de bola...o trabalho individual e árduo parece ser a chave do sucesso dos grandes atletas.
Tal como é referido no vídeo, este tipo de trabalho ajuda muito no desenvolvimento da coordenação, principalmente enquanto se está a crescer e dentro das chamadas "fases sensiveis".

sábado, 12 de janeiro de 2008

O Treinador de Crianças & Jovens














Ser treinador de crianças e jovens é desempenhar um cargo de enorme responsabilidade, não só porque socialmente é um cargo de grande impacte, mas também porque o desempenho desta função contribui positiva ou negativamente para que exista por parte das crianças e jovens que treinamos um desenvolvimento educativo, formativo e desportivo.

A atitude do treinador é um dos factores que contribui para o sucesso da actuação do mesmo junto de todas as crianças e jovens que treina.
Uma correcta atitude por parte do treinador, irá contribuir de forma efectiva para o sucesso da juventude que lhe é confiada, quer na vida quer no desporto.
Uma atitude incorrecta só irá fazer com que as crianças e jovens criem aversão á prática desportiva, abandonem o desporto e que não desenvolvam convenientemente as suas capacidades físicas, motoras, sociais e emocionais.

A atitude correcta do treinador pressupõe que este veja o desporto e o desempenho da função que lhe está atribuída dentro do mesmo, como um contributo para o processo formativo dos indivíduos que participam nas actividades por si orientadas.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Bom Salto...ou "espetacular afundanço"?!




Tal como Dick Fosbury reinventou a técnica no Salto em Altura nos 60's....dando origem ao Fosbury Flop....tendo esta técnica (Fosbury Flop) todo o seu suporte teórico em questões biomecânicas que comprovam o porquê da sua eficiência em relação ás outras técnicas. Recentemente este ex-basquetebolista trouxe novamente as "questões ciêntificas para cima da mesa"...pois apesar de durante este salto, que o transformou no mais recente Campeão Mundial, ele demonstrar que não tem um "dominio muito acentuado" nas "questões técnicas"....pois técnicamente o salto é tudo menos perfeito...ele saltou muito mais do que todos os que o antecederam nesta prova.

Este ex-basquetebolista pendorou as sapatilhas á uns meses...e mudou-se para o atletismo....o que comprova as "teorias do transfer" entre as actividades fisicas desportivas e habilidades motoras.

Este salto parece um "afundanço de costas"...mas a verdade é que este saltador em altura, graças á sua "aliteração motora" e potência muscular, desenvolvida durante os muitos anos em que jogou basquetebol é o novo "World Champion".

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

“Morte súbita no Desporto”…o tema do momento!


A morte, algo que todos independentemente da cultura, classe social, formação, sexo, raça ou credo não podem evitar. Podem adiar, podem fugir…mas já mais vão remediar.

Algo que é comum a qualquer organismo vivo, algo que invencível…mesmo para aqueles a quem os “comuns dos mortais” atribuem o estatuto de “semi-deuses”.

Isto de morrer a competir não começou agora, já na Grécia antiga…muitos foram os que morreram a competir…esses sim, alcançaram automaticamente o estatuto de “semi-deuses”…e tiveram o privilégio de “serem levados até o topo do Monte Olimpo" para se juntarem a Zeus para a eternidade.

Mais do que vencer…."morrer a competir era o maior dos troféus nos Jogos Olímpicos da Grécia antiga"….

Actualmente tem se assistido com relativa frequência á morte de atletas durante as competições desportivas…muitos são aqueles que incrédulos se questionam sobre o porquê da morte visto que eles são “atletas”(semi-deuses)…e os atletas são jovens fortes e saudáveis que praticam desporto por isso estão “quase proibidos de morrer”…mas a verdade é outra.

Tal como uma vez ouvi ao professor Manuel Sérgio: “se praticar desporto faz bem…então porque morrem pessoas a fazer desporto??”

Bem, como diria um “pequeno cérebro” do desporto português: “isto é uma faca com dois legumes”(gumes)…

Pois se a noção de Atleta treinado está associada á imagem de “ser humano muito saudável”…essa imagem nem sempre é aquilo que parece….pois o Alto rendimento desportivo pisa terrenos do prejudicial á saúde. (Corre 42 km em cerca de 3 horas é saudável? Acho que não é muito!!)

Existem diversas causas para se morrer durante a prática de actividades físicas desportivas, independentemente da intensidade e do nível de condição do praticante.

Muitas razões de morte estão relacionadas com más formações a nível do aparelho cardio-respiratório, mas muitas causas de morte também podem estar relacionadas com substâncias dopantes…curiosamente pouco se fala desta hipótese, será tabu??

Uma das actividades desportivas que mais pessoas mata é o Squash….isto extra alto rendimento…e porquê?

Na minha humilde opinião, visto que sou técnico de desporto e não médico, a principal razão a este nível de prática está relacionada com a intensidade da Actividade física em si própria, está também relacionado e como é obvio com o público alvo desta modalidade, que normalmente são homens de negócios, de meia idade, da classe média-alta, com pouca capacidade física e com uma vida sedentária…o que os torna uma “presa fácil” no que diz respeito a ataques cardíacos provocados pela intensidade do próprio jogo.

Nos atletas de alto rendimento a coisa muda de figura, pois capacidade física não lhes falta e um ataque cardíaco parece ser algo improvável de acontecer, mas a verdade é que não o é…pois muitos desse atletas durante o seu crescimento foram sujeitos a cargas de treino elevadas…muitas vezes desajustadas da sua idade biológica…o que contribui para que existam por vezes más formações orgânicas (alguns praticamente nascem com elas mas outras são provocadas pelo treino).

A culpa é dos "treinadores de jovens" que não respeitam e não dominam várias questões relacionadas com o treino e adequação deste aos atletas que tem sob a sua responsabilidade.

Eu já assisti a aquecimentos que eram autenticas “corridas de velocidade”, será que isto não tem um efeito prejudicial sobre o organismo de um ser em desenvolvimento, claro que têm!!
Vamos supor que a criança está com uma FC de 60 bpm em repouso e depois sem aquecer convenientemente vai fazer um sprint de 100m onde a sua FC dispara para as 190 ou 200 bpm….isto em poucos em segundos, agora multipliquem 3 treinos por semana durante 10 anos…são muitos aquecimentos mal feitos… depois os mesmos "pseudo-treinadores" anos mais tarde ficam surpreendidos que eles tombem no relvado.

É lógico que a ciência não detecta tudo…nem sequer cura tudo….tal como em todas as questões relacionadas com a saúde …o melhor é sempre a prevenção.

Aqui vos deixo uma lista de efeitos negativos provocados pelo treino intensivo precoce:
(segundo Raposo,A.V., 2006)

Ao nível da traumatologia geral:
  • microtraumatismo de repetição
  • microtraumatismo musculares e tendinosos
  • doença de sheumann
  • lesões nas inerções musculares
  • osteonecroses assépticas
  • perlartropias
  • arrancamentos ósseos ao nivel da bacia
  • lesões musculares em zonas de ossificação secundária
  • fracturas de fadiga
  • lesões cartilaginosas
  • lesões nos seios e no útero
  • entorses graves no joelho
  • miosites ossificantes
  • degenerências artrósicas
Ao nível do aparelho Cardio-respiratório:
  • arritmias cardíacas
  • insuficiência do aparelho circulatório
Ao nível do crescimento global e segmentar:
  • crescimento reduzidopor hiprttrofia exageradada musculatura
  • quebra da curva de crescimento
  • desigualdade no crescimento dos MI
  • diminuição do ritmo de crescimento
Ao nível da maturação sexual:
  • retardamento da maturação sexual
  • virilização
  • esterelidade
  • irreglaridade dos ciclos mestruais
Ao nível psicossocial:
  • anseidade exagerada por imaturidade
  • síndrome de saturação desportiva
  • perda de identidade
  • ocupação obsessiva

domingo, 6 de maio de 2007

PENALTYS! Lotaria ou Ciência??


Andava já a uns tempos em busca de inspiração para escrever um artigo aqui no Blog e nada surgia,...nada que fosse do interesse público…visto que a minha mente é uma barragem de ideias…verdade se diga, algumas dessas ideias são muito “idiotas” e não interessam a ninguém! lol
Como não surgia nada de interessante resolvi assistir ao Liverpool vs Chelsea para ver se atingia o tal “Nirvana” que me desse vontade de escrever um artigo interessante! BINGO, na MUSH…o jogo é decidido na marca de grandes penalidades…
(que grande artigo vou eu escrever sobre este tema…pensei eu).

Para milhares de espectadores, comentadores e outras pessoas que estão de forma directa ou indirecta associados ao fenómeno futebolístico, a marcação de Grandes Penalidades é uma questão de SORTE…a já famosa “LOTARIA DOS PENALTYS”!!!
Mas a verdade é que não é somente SORTE, um Penalty não é só SORTE…e os grandes técnicos desportivos sabem muito bem isso!

Rafa Benitez parece ser um dos técnicos bem apetrechados no que diz respeito a “Ciência dos Penaltys”, ou já esqueceram a final em o DUDEK andava a dançar na Baliza!! lol

No Liverpool vs Chelsea, o GK do Liverpool (Reina) defendeu 2 Penaltys e acertou o lado dos 3 que o Chelsea chutou….sorte?? Não creio…Ciência…investigação…estudo dos adversários…sim acredito seriamente nessa hipótese!!

Vejamos, hoje sabemos que existem diversas instituições de Ensino, Nacionais e Internacionais que se dedicam a investigação na Área das CIÊNCIAS DO DESPORTO…uma das áreas que mais contribui para o avanço do conhecimento nesta área do Desporto de Alto Rendimento é a BIOMECÂNICA….diversos investigadores tem ao longo dos anos estado debruçados sobre este tema (marcação dos penaltys)…e tem se descobrido muitas coisas…é obvio que os resultados destes estudos não saem na imprensa desportiva…pois estas coisas não tem grande interesse para o “comum dos mortais”.

Normalmente são estudos tipo “top-secret”, pois podem ser vendidos a grandes clubes europeus por milhares de euros….uma equipa de investigadores portugueses está actualmente a trabalhar com o Inter de Milão nesta mesma área…

Segundo o que li e ouvi é possível ajudar os Guarda-redes a interpretar os movimentos dos marcadores de penaltys e desta forma contribuir para o aumento do número de bolas defendidas.

É possível também ajudar os marcadores a enganar os guarda-redes mais facilmente, sabe-se hoje que um remate superior a 90 Km´s hora diminui o tempo de reacção dos guarda-redes a 0.

Uma das descobertas que ajudou os guarda-redes foi o famoso “first step” (passo em frente para diminuir o ângulo de remate), o Ricardo do Sporting CP parece ser um perito em defender penaltys…o seu tempo de reacção é extremamente curto, o “first step” é muito bom…e a sua interpretação da movimentação do marcador é muito boa…o que o torna “um dos grandes” na matéria das penalidades (acredito claramente num trabalho de casa muito exaustivo).

Existem no entanto guarda-redes que não tem tanta facilidade em interpretar a movimentação dos marcadores das penalidades, mesmo com muito trabalho de visualização de vídeos.. trabalho estatístico..etc.
Como são mais fracos no que diz respeito ao tempo de reacção, resta-lhe a parte psicológica do jogo…”Pressionar”…tentar “influenciar” o Batedor a chutar para um dos lados….”Dançar” na baliza…virar as costas a bola…jogar com os nervos da equipa adversária também é uma maneira de influenciar o resultado final do remate efectuado pelo batedor da grande penalidade.

Existem diversas formas de colocar a ciência ao serviço do desporto, quer seja a biomecânica, a fisiologia, a estatística ou a psicologia etc….como diz um grande treinador…

”Se as Ciências do Desporto colocam a minha equipa 1% mais forte do que o seu oponente…então eu vou querer usar esse trunfo em todos jogos”.

segunda-feira, 19 de março de 2007

O Treino Infanto-Juvenil…e a precocidade dos resultados.



Treinar crianças e jovens têm tanto ou mais de difícil do que treinar adultos.

È óbvio que é difícil treinar adultos, pois o nível de exigência é extremamente elevado e os resultados desportivos imediatos é que ditam se o treinador é uma besta ou é bestial.

Tende a existir sempre pressão por parte das massas associativas e da imprensa quando se treina uma organização desportiva topo.
Mas o treino de jovens é também ele muito exigente, não só porque existe a pressão dos resultados por parte dos pais e dirigentes, pressão essa só prejudica os intervenientes no processo de formação desportiva, como acaba por prejudicar o jovem atleta comprometendo assim o seu futuro.

Alguns treinadores são “obrigados” a errar em favor do resultado desportivo, mas o resultado desportivo não é tudo, com jovens é mais importante a forma como esse resultado é obtido, cargas de treino elevadas são aplicadas em jovens sem nenhum respeito pela sua maturação biológica comprometendo desta forma a sua progressão como atletas.

O que no curto prazo pode até parecer um êxito desportivo, pode no longo prazo vir a ser revelado como um falhanço metodológico, que comprometeu a carreira desportiva de um jovem desportista com talento.
A progressão dos jovens atletas é muitas vezes limitada por treinadores que através de cargas de treino desajustadas, visam atingir objectivos imediatos, o que compromete o desenvolvimento harmonioso e a longo prazo do atleta.

O treino dos jovens deve ser estruturado segundo princípios científicos, deve ser pensado e organizado tendo em vista o rendimento a longo prazo e nunca no imediato.

A carga de treino deve ser adaptada a idade biológica da criança e deve estar sempre em sintonia com as ditas fases de treinabilidade do jovem atleta.

O treino nos jovens deve visar mais a vertente qualitativa – técnica do que a vertente física, embora estas sejam interligadas.

A técnica é tudo no jovem atleta, se a criança tiver adquirido um nível técnico extremamente elevado, o resto irá surgir por acréscimo, pois a vertente física é a mais fácil de treinar nas idades propicias para o seu desenvolvimento, caso a criança tenha potencial, existem sempre aqueles que são limitados por variadas razões quer de ordem física que de ordem genética.

A especialização precoce é um problema no desporto português, nós temos muitos campeões de 12/13 e muitos frustrados de 22/23, é necessário ter calma e não querer tudo no imediato, queimar etapas na formação não é a melhor forma de gerar um campeão.

segunda-feira, 12 de março de 2007

A Evolução Ciêntifica, Técnica e Táctica do Desporto



Existem pessoas que insistem em comparar os atletas da actualidade com os do passado…dizendo este ou aquele é o melhor de todos os tempos…isso é um erro muito grande…

Por exemplo: O Eusébio foi e é um grande Sr. merece todo o respeito por tudo o que conseguiu e fez no desporto..mas comparar o Eusébio, que foi um super atleta do seu tempo a outro super atleta da actualidade é injusto para ambos. Pois a mudança foi a única constate que se manteve desde os tempos áureos do Eusébio até aos dias de hoje.

O “treinar” da actualidade nada tem em comum com o treinar dos anos 50, 60 e 70….se continuássemos a fazer as coisas recorrendo as mesmas metodologias possivelmente os recordes não cairiam tão frequentemente.

Comparar jogadores ou outros atletas de épocas muito diferentes é uma injustiça tremenda para as pessoas em causa…e podemos até considerar que quem faz isso é praticamente desconhecedor de tudo que ao treino diz respeito.

Quando era pequeno vi um grande jogador de Basquetebol do passado dizer: “no meu tempo aquilo que eu fazia era chamado de show-time..e era muito avançado para a época em questão…mas a verdade é que aquilo que eu fazia nos anos 60…qualquer miúdo de 12 anos o faz hoje em dia…”
Esta frase do “Sr. Basquetebol – BOB COUSY #14 “ diz tudo…é incomparável um jogador ou um atleta do passado com um da actualidade…o treino…a evolução técnica e táctica foi a única constante desde o passado até a actualidade…tudo isto fruto da evolução cientifica e por consequência na forma de pensar e desenvolver os mais variados aspectos do treino desportivo.


quarta-feira, 7 de março de 2007

QUANDO A FILOSOFIA CHEGA AO FUTEBOL…



Toda a gente sabe, ou devia saber, que o Futebol sempre foi um Desporto que viveu isolado durante anos e anos de qualquer sistema legal e organizacional devidamente estruturado e orientado.

Quase todas as organizações que fazem parte do fenómeno desportivo que tem como área principal de actividade o Futebol, vivem e algumas continuam a viver, a margem do que podemos considerar uma estrutura organizacional racional, orientada por critérios e princípios fundamentados nas diversas áreas do saber, como: a Gestão, as Ciências do Desporto, o Direito e a Economia….entre outras.

Vocês devem-se estar a questionar sobre o porquê deste facto?

A resposta é bastante simples e obvia…90% das pessoas que integravam organizações desportivas do passado e algumas ainda integram algumas do presente, não tem o “know-how” para desenvolver as organizações de forma a utilizar o conhecimento técnico/cientifico em favor dessas mesmas organizações, de forma a que as organizações sejam eficientes, organizadas, socialmente aceites e tenham um conjunto de argumentos que permita que estas sobrevivam por si só, gerando as suas próprias receitas.

O problema do Futebol são as próprias pessoas do futebol.
Falta de conhecimentos, falta de racionalidade, falta de ética são apenas algumas das lacunas que as pessoas do Futebol apresentam…claro que também existe gente muito inteligente no Futebol quer no presente quer no passado, mas esses sempre foram uma pequena percentagem.

O panorama internacional e nacional tem vindo a mudar, principalmente na ultima década, a principal razão, no meu ponto de vista, está relacionada com a sobrevivência organizacional, ou as organizações se adaptam a mudança social, á realidade ou então a sua extinção esta para breve…

A chegada de alguns “cérebros” ao Futebol tem gerado, como sempre gerou, discussões entre os partidários da “old school” e a nova vaga de Técnicos altamente qualificada que vem do ensino superior, a famosa “new school”.

A mítica “battle” de gerações tem por vezes picos de intensidade…principalmente porque muitos dos membros da velha guarda (odl school) tem sido encostados por falta de capacidade para atingir os objectivos traçados…se é que os traçam..lol

A chegada de novos técnicos dotados de “know-how” traz sempre novas palavras novos discursos, conceitos linguísticos próprios do meio em questão…trocando por miúdos linguagem técnica.

Até aqui tudo normal, o que não é normal, e a na minha opinião chega mesmo a ser RIDÍCULO…é que essa linguagem técnica seja adoptada por outros técnicos menos bem formados, média e adeptos menos capazes de processar informação…lol
Depois cai-se no ridículo…

Um dos termos que tem vindo a aumentar gradualmente a sua utilização na linguagem futebolística é o termo Filosofia…
Filosofia do treinador, de jogo, do clube etc.…são termos que se tão a tornar corriqueiros…pena é que muitas das pessoas que vivem do e para o futebol, nunca se tenham sentado numa cadeira numa aula de Filosofia…mas isso é só um pequeno grande pormenor.

O conceito “Filosofia de jogo” é um conceito importado…antigamente os treinadores de Futebol em Portugal nem o utilizavam, apesar de se estarem a referir á mesma coisa (era utilizado mais vulgarmente o conceito de Concepção de Jogo)…é um conceito que provem dos jogos desportivos colectivos norte-americanos…e basicamente quer dizer que é o entendimento que o treinador tem do jogo…a forma como o entende e define um conjunto de princípios que suportam a sua forma de Jogar, esta concepção do jogo é que é a MÍTICA FILOSOFIA, a “imagem de marca” de cada treinador…

Este aspecto permite distinguir uns treinadores dos outros, a forma de uma equipa jogar…a forma única como cada equipa interpreta os princípios definidos pelo seu treinador…não existem duas filosofias iguais porque não existem dois treinadores iguais…

A Filosofia de jogo é a concepção de jogo que cada treinador vai formando ao longo do seu percurso, sempre em desenvolvimento, em constante adaptação e que vai ficando consolidada com o passar dos anos.